sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A prática do nepotismo é muito antiga. Ao longo da história da humanidade era algo “normal”, quase um direito de algum parente ser contratado sem concurso e até ganhar os melhores salários. Depois passou a ser questionada, mas continuou a ser muito “tolerada”. No entanto, desde 1988, é claramente proibida. No entanto, com a sua prática beneficia os mais diversos segmentos das elites, muitos continuaram a fazer “vistas grossas”, inclusive, nas ramificações tanto do poder judiciário como do ministério público.
Mais recentemente inúmeras decisões, seja político-administrativa, político-legislativa ou político-judiciária têm condenado a prática do nepotismo e dado efetividade ao princípio constitucional da impessoalidade.
Na Justiça do Trabalho, de 1ª (varas do trabalho) e de 2ª (tribunal regionais do trabalho), já são inúmeras as decisões no sentido de não dar direitos trabalhistas às pessoas contratadas por nepotismo e até reconhecer a prática de improbidade administrativa.
O tema, como você pode ler abaixo, recentemente foi debatido e julgado pela instância máxima do judiciário trabalhista - o TST (Tribunal Superior do Trabalho) - que fica localizado em Brasília, Distrito Federal e uma das sentenças foi mantida.
Mudando o seu entendimento anterior, apesar da existência do mesmo princípio e das mesmas normas, o TST indeferiu os direitos trabalhistas decorrentes da contratação por intermédio da já velha proibida prática do nepotismo. Com essa decisão do TST, surge um alento para muita gente que poderia estar empregado, mas fica sem o necessário emprego porque os parentes são preferenciais.
As denúncias, atualíssimas, já giram em torno de outra questão. Determinados correligionários eleitorais ou políticos são contratados para cargo em comissão (de livre nomeação e exoneração), mas têm que dar uma parte do salário para o parente.
E agora, josé? – repetiria o poeta, se vivo estivesse.
Em decisão inédita, TST decide contra nepotismo em estatal
Um ex-assessor da presidência da Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro não conseguiu convencer a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que sua nomeação para cargo comissionado na presidência da empresa foi legal.
Contrariamente, em decisão inédita, a Primeira Turma (grupo de magistrados) negou provimento a seu recurso, com o entendimento que a nomeação ocorreu sob a prática de nepotismo, uma vez que ele era irmão do então presidente da TurisRio, quando foi contratado. Por cinco anos, o empregado trabalhou no gabinete da presidência da empresa como assessor econômico e comercial. Demitido em abril de 2008, ele ajuizou reclamação trabalhista pretendendo receber, entre outras verbas, diferenças salariais.
A ação foi considerada improcedente (o empregado perdeu tudo) pelo juízo do primeiro grau (Vara do Trabalho) e o recurso que se seguiu foi arquivado pelo Tribunal Regional da Primeira Região (TRT-RJ), que considerou nula a contratação do assessor, com fundamento na Súmula vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), que dispõe a respeito da contratação de parente. Insatisfeito com a decisão regional, o assessor interpôs agravo de instrumento no TST (um tipo de recurso), argumentado que ocupava cargo de confiança, para o qual não é necessário concurso público, como estabelece exceção à regra do art. 37 da Constituição, que trata da obrigatoriedade de concurso para admissão no serviço público.
No entanto, o relator (Desembargador, que é juiz de 2ª instância) do recurso na Primeira Turma, ministro (do judiciário, que é magistrado de 3ª instância) Walmir Oliveira da Costa, afirmou que a regra não se aplica àquele caso, que se trata de contratação maculada pela prática de nepotismo em empresa de economia mista (que também é obrigada a fazer concurso). O relator esclareceu que a referida súmula vinculante do STF estabelece que: “A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro-grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição federal”. Ao final o relator considerou correta a decisão do 1º Tribunal Regional em rejeitar a pretensão do empregado de que fosse “observada a ressalva contida na parte final do inciso II do artigo 37 da Constituição”. Isto porque “o ato jurídico foi maculado com o vício de nulidade absoluto que fere a moralidade pública – princípio norteador de todo ato administrativo, conforme a diretriz estabelecida no “caput” do mesmo dispositivo constitucional”. Por unanimidade, a Primeira Turma negou provimento ao agravo de instrumento e determinou o encaminhamento de cópia da decisão ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, “para adoção das providências que entender cabíveis”. AIRR-64800-56.2009.5.01.0038”
Fonte: com informações da Assessoria de Comunicação do TST.
Provocando, nossa pergunta: Será que o Tribunal de Contas do Rio de Janeiro julgou irregulares a prestação de contas da TurisRio, em razão da prática do nepotismo?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

MULHERES - ESTUDO MOSTRA QUE MÍDIA IGNORA POLÍTICAS PÚBLICAS PARA IGUALDADE DE GÊNERO

Mesmo com duas mulheres concorrendo à presidência, em 2010, jornais privilegiaram a disputa eleitoral. Aspectos físicos e vida privada ocuparam boa parte das coberturas.
Um estudo pioneiro analisou a cobertura de 16 jornais de todas as regiões do País durante o ano de 2010. Com base em 425 notícias, os resultados mostram que, mesmo com duas mulheres na disputa para presidência – Dilma Rousseff e Marina Silva –, a imprensa brasileira não se aprofundou em temas vinculados à agenda da equidade de gênero, como a participação feminina na disputa partidária e as políticas públicas de promoção dos direitos das mulheres.
Segundo o estudo “Análise da Cobertura da Imprensa sobre Mulheres na Política e Espaços de Poder”: em 2010, 41% das matérias avaliadas tinham como foco as eleições; outro tema recorrente foram as lideranças políticas femininas no Brasil e no exterior.As propostas de políticas e programas de governo voltados para as mulheres praticamente não aparecem no noticiário. Dos textos analisados, menos de 2% mencionam ações do poder público, como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres ou o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial.
Da mesma forma, os veículos deixaram em segundo plano assuntos como a destinação de 5% dos recursos do fundo partidário para promoção da participação das mulheres na política e a necessidade dos partidos preencherem a cota mínima de 30% de candidatos/as para cada sexo.
Autoridades são as principais fontes de informação
Outro indicativo do interesse concentrado na disputa eleitoral está na escolha das fontes de informação. Representantes dos poderes públicos (48,57%) – com destaque para o Executivo e o Legislativo – foram os mais procurados pelos jornais pesquisados.
Embora o tema da participação feminina envolva polêmicas, a imprensa não primou pela multiplicidade de pontos de vista nesse noticiário: não mais do que 15% dos textos trazem opiniões discordantes.
Candidatas são julgadas pelo aspecto físico
A referência a aspectos físicos está presente em 14% do material estudado. São principalmente menções a cabelo, roupa, peso, maquiagem e cirurgia plástica das candidatas.Já informações sobre a vida privada das candidatas, como estado civil, filhos/netos e prendas domésticas aparecem em 31,5% da cobertura.
Insuficiências exclusivamente relacionadas às candidaturas femininas são mencionadas em 20% dos textos. Apenas 4% apontam aspectos negativos de homens e mulheres na mesma notícia.
A pesquisa integra uma série de levantamentos realizados pela ANDI – Comunicação e Direitos e pelo Instituto Patrícia Galvão, no âmbito de projeto desenvolvido com o Observatório Brasil da Igualdade de Gênero, da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal.
Os resultados completos serão debatidos no seminário Imprensa e Agenda de Direitos das Mulheres – uma análise das tendências da cobertura jornalística, organizado pela Secretária de Políticas para as Mulheres. O evento reunirá em Brasília, no dia 3 de outubro, diversos profissionais de imprensa e especialistas na agenda de equidade de gênero.*Com informações do Mais informações

Portal da ANDI -Veja aqui o Resumo Executivo da “Análise da Cobertura da Imprensa sobre Mulheres na Política e Espaços de Poder”Visite o minisite Mulheres na Imprensa
Fonte:http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9434/estudo-mostra-que-midia-ignora-politicas-publicas-para-igualdade-de-genero

COMUNICAÇÃO – TEVÊ GLOBO QUER A CABEÇA DE PAULO BERNARDO

As Organizações Globo quando quer a cabeça de alguém, em geral, começa seus ataques pela revista Época. Depois que o alvo sente os primeiros golpes, ela coloca o Jornal Nacional no jogo.
A nova vítima da Globo é o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. O primeiro ministro da área pós-ditadura que não tem pacto de sangue com a toda-poderosa.
A despeito das divergências que este blog venha a ter com a condução do PNBL pelo MiniCom, este blogueiro sujo sabe muito bem ler o noticiário. E já entendeu que apesar de ter gente dizendo que a Globo está feliz da vida com Bernardo, isso não se sustenta.
Basta ver a campanha que ela está organizando contra ele. Seguem os esclarecimentos do ministro.
Nota de esclarecimento
Além de totalmente inverídicas, são de grande irresponsabilidade as ilações que tentam fazer sobre meu comportamento como Ministro de Estado e o uso de aeronaves particulares. Esclareço que jamais solicitei ou me foi oferecido qualquer meio de transporte privado em troca de vantagem na administração pública federal.
Em 2010, quando era Ministro do Planejamento, participei, nos fins de semana, feriados e férias, da campanha eleitoral do meu Estado, Paraná. Para isso, utilizávamos aviões fretados pela campanha, o que incluiu aeronaves de várias empresas, que receberam pagamento pelo serviço. Não tenho, porém, condições de lembrar e especificar prefixos e tipos, ou proprietários, dos aviões nas quais voei no período.
Não existe relação entre o exercício do cargo de Ministro do Planejamento e fatos decorrentes da execução de obras públicas no estado do Paraná. Como deputado federal paranaense, nos anos 2003 e 2004, e a pedido do então Prefeito de Maringá, Sílvio Barros, reconhecendo a importância da obra para o Estado, nos empenhamos para obter recursos, através de emenda de bancada.
O Contorno de Maringá foi incluído no PAC – Programa de Aceleração do Crescimento porque preenchia todos os critérios, como importância do projeto para a economia local e para a população. Defendi a inclusão do Contorno de Maringá no PAC, assim como de outras obras prioritárias em outras regiões do país, por uma razão simples: eram importantes para o desenvolvimento daqueles Estados, não porque iriam beneficiar esta ou aquela construtora.
Revista Época
A Revista Época fez nos últimos dois meses, quatro matérias em que cita a mim ou à Ministra-Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, com insinuações indevidas, algumas de forma absolutamente gratuita, sem me ouvir, como foi o caso da publicada na edição de 20 de junho de 2011, sob o título “Do Pantanal para Campinas”.
Este fato contraria os Princípios Editoriais das Organizações Globo que diz, na seção 2: “correção é aquilo que dá credibilidade ao trabalho jornalístico: nada mais danoso para a reputação de um veículo do que uma reportagem errada ou uma análise feita a partir de dados equivocados”.Eu fui citado ao lado de uma grande foto, numa matéria totalmente alheia a mim, apenas porque deveria ser uma testemunha a ser ouvida.
Como se não bastasse, seguiram mais três novas matérias: “Os ministros indesejados”, publicada na edição de 10 de julho de 2011; “Mudar para ficar tudo igual”, edição de 17 de julho de 2011 e a desta semana “Por que ele não responde?”.
Tanto na matéria “Os Ministros Indesejados” como em “Mudar para ficar tudo igual”, segue um jogo de palavras, sem uma única fonte, com insinuações, sem nenhuma comprovação, expondo um ato legítimo de lutar por recursos para uma obra importante para o Estado, com malfeitos e desvios.
Novamente a Revista contraria outro item importante dos Princípios Editoriais das Organizações Globo que diz no item w da Seção 1: “denúncia anônima não é notícia; é pauta, mesmo se a fonte for uma autoridade pública: a denúncia deve ser investigada à exaustão antes de ser publicada.”
E por fim, quando, por causa dos antecedentes e insinuações colocados pelas reportagens anteriores, julguei desnecessário atender à reportagem da Revista Época, sou surpreendido com a matéria “Por que ele não responde?”, com novas insinuações sobre o uso de aeronaves particulares durante o ano de 2010.
De novo, a Revista contraria aqui os Princípios das Organizações Globo, no item e, da Seção I de que “ninguém pode ser perseguido por se recusar a participar de uma reportagem”.
Quero destacar que estou e sempre estive à disposição do Congresso Nacional para a prestação de quaisquer esclarecimentos que se façam necessários. Defendo, como sempre defendi, o máximo de transparência na utilização do dinheiro público. Considero este o meu dever e minha responsabilidade política.
Brasília, 22 de agosto de 2011
Paulo Bernardo Silva – Ministro das Comunicações.


Política - DESPOLITIZAÇÃO

O grau de despolitização do nosso povo pode ser aferido pelas reclamações que fazem em relação às prerrogativas e ajudas que os parlamentares recebem para o exercício do cargo: automóvel oficial, passagens aéreas, isenção de tarifa postal; auxílio-moradia.
É bem verdade que há certa justificativa para a reclamação, pois alguns parlamentares usam essas ajudas em beneficio próprio e não como um meio para exercer bem o seu mandato.
Toda crítica é correta e bem vinda, quando satisfaz duas condições: não generalizar para não fazer injustiça com os parlamentares que as usam corretamente (um grande número); e que o autor participe ativamente do processo político, de modo a obter a informação necessária sobre cada um desses benefícios e prerrogativas.
Por exemplo: a necessidade de autorização da casa à qual o parlamentar pertence para que se possa processá-lo. Essa prerrogativa existe para evitar que processos forjados impeçam um parlamentar correto de disputar sua reeleição. Trata-se, portanto, de uma medida destinada a defender o interesse da população.
O mesmo se diga a respeito da frequência do parlamentar. Há gente que reclama de ver um deles fora de Brasília no meio da semana. Esquecem-se de que o trabalho parlamentar não se realiza apenas no Plenário ou nas Comissões, mas em qualquer lugar em que o interesse público exija a presença de uma pessoa com sua autoridade.
Por isso mesmo, não se deve estranhar pelo fato de encontrá-lo em um avião com destino a um estado diferente do seu domicilio.
Confusão se faz também em relação à produção do parlamentar. Questiona-se aquele que não apresenta muitos projetos de lei. Ora, a produção de um parlamentar não se mede, como a produção de um sapateiro, pelo número de projetos de lei que ele apresenta, porque a atuação do parlamentar vai além disso, nas negociações políticas indispensáveis à vida do país.
O deputado Ulysses Guimarães não era conhecido pelo elevado número de projetos de lei que apresentava. Alguém poderá negar que ele tenha sido um dos maiores parlamentares que o Brasil já teve?
A crítica só é boa quando devidamente informada.
Fonte:http://www.correiocidadania.com.br/index.php?view=article&catid=27%3Aeditorial&id=6194%3Aeditorial200811&tmpl=component&print=1&layout=default&page=&option=com_content

sábado, 20 de agosto de 2011

DIGA NÃO À COSIP

PEGUE O SEU TÍTULO ELEITORAL E ASSINE O ABAIXO-ASSINADO PARA ACABAR COM A COSIP.


O ABAIXO-ASSINADO É PARA O PREFEITO, OS 8 VEREADORES E A VEREADORA APROVAREM UMA LEI MUNICIPAL DE INICIATIVA POPULAR PARA ACABAR COM A COBRANÇA DA COSIP.

O ABAIXO-ASSINADO É PARA PROPOR UM PROJETO DE LEI MUNICIPAL DE INICIATIVA POPULAR PARA REVOGAR A LEI MUNICIPAL Nº364/2010, QUE MODIFICOU A LEI MUNICIPAL Nº333/2009, QUE RECRIOU A CONTRIBUIÇÃO SOBRE O SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA – COSIP.


ASSIM, DEIXE A OMISSÃO DE LADO E LUTE POR DIREITOS!

AS ATIVIDADES DO ABAIXO-ASSINADO JÁ SE INICIARAM E IRÃO ATÉ À SEMANA DA PÁTRIA, QUANDO ACONTECE O GRITO DOS EXCLUÍDOS DE 2011.


O GRITO DOS EXCLUÍDOS DESSE ANO TEM COMO LEMA: “VIDA EM PRIMEIRO LUGAR!” E COMO TEMA: “PELA VIDA GRITA A TERRA... POR DIREITOS, TODOS NÓS!

CRISTÃOS, DIGAM NÃO AO DESRESPEITO LEGISLATIVO E À EXPLORAÇÃO TRIBUTÁRIA MUNICIPAIS.


FORÇA!

ACABAR COM A COSIP, VOCÊ PODE!


PORÉM...

DEPENDE DE TODOS NÓS!


PORTANTO, ASSINE O ABAIXO-ASSINADO E EXIJA DO PREFEITO ZÉ PACHECO E DOS VEREADORES E DA VEREADORA O FIM DA COBRANÇA DA COSIP.

EXERÇA A CIDADANIA-ATIVA.


DIZER NÃO À COSIP!

É GRITAR... POR SEU DIREITO!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CAMPANHA 16 DIAS DE ATIVISMO DISCUTIRÁ RELAÇÃO ENTRE ARMAS DE FOGO E VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES

"Desde a paz no lar até a paz no mundo: desafiemos o militarismo e terminemos com a violência contra as mulheres”. É com este tema que organizações participantes da Campanha Internacional 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero realizarão, neste ano, ações e debates com foco na relação entre armas leves e violência contra as mulheres.
Como nos anos anteriores, a Campanha terá início em 25 de novembro, Dia Internacional de Ação Não Mais Violência contra as Mulheres, e terminará no dia 10 de dezembro, data em que se celebra o Dia Internacional dos Direitos Humanos. A Campanha, realizada desde 1991 pelo Centro para a Liderança Global das Mulheres (CWGL, por sua sigla em inglês) da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos, terá a participação das integrantes da Rede Internacional de Ação sobre as Armas Pequenas (Iansa, por sua sigla em inglês).
O tema deste ano tem o objetivo de reunir organizações feministas de várias partes do mundo para discutir questões sobre a paz, o desarmamento e a defesa dos direitos humanos com a finalidade de desafiar a militarização. Além disso, a Campanha pretende denunciar o aumento do número de armas pequenas e sua relação com a violência doméstica. De acordo com informações da Rede Iansa, o risco de morte de mulheres é três vezes maior quando existe uma arma de fogo em casa.
"Além disso, as armas curtas são uma das maiores causas de morte dos civis nos conflitos modernos. As armas curtas não só facilitam a violência contra as mulheres, mas também, devido a sua associação com a masculinidade violenta, perpetua a violência. Apesar do contexto – seja de conflito ou de paz – ou da causa imediata da violência, a presença das armas sempre tem o mesmo efeito: mais armas significa mais violência contra as mulheres”, apontou CWGL em documento sobre o tema da Campanha deste ano.
Ainda estão entre os assuntos que serão abordados na ação de 2011: as violências sexuais cometidas por agentes do Estado contra meninas e mulheres, as violações sexuais durante e após os conflitos, e a violência política contra mulheres nos períodos eleitorais.
16 Dias de Ativismo, por quê?
A Campanha Internacional 16 Dias de ativismo contra a Violência de Gênero acontece desde 1991 com a finalidade de chamar atenção para a violência contra as mulheres e demandar ações e estratégias de prevenção e combate ao crime e de apoio às vítimas.
Para CWGL, o período escolhido para a ação, de 25 de novembro a 10 de dezembro, não só garante mais visibilidade ao Dia Internacional contra a Violência contra a Mulher e ao Dia Internacional dos Direitos Humanos, como também relaciona a violência de gênero a uma violação aos direitos humanos.
Fonte: Karol Assunção - Jornalista da Adital - http://16dayscwgl.rutgers.edu/

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O COMPLEXO DE VIRA-LATA (PERTUBA A MUITA GENTE?)

Até os jornais brasileiros tiveram de noticiar. Uma força-tarefa criada pelo Conselho de Relações Exteriores, organização estreitamente ligada ao establishment político/intelectual/empresarial dos Estados Unidos, acaba de publicar um relatório exclusivamente dedicado ao Brasil, - pontuado de elogios e manifestações de respeito e consideração.
Fizeram parte da força-tarefa um ex-ministro da Energia, um ex-subsecretário de Estado e personalidades destacadas do mundo acadêmico e empresarial, além de integrantes de think tanks, homens e mulheres de alto conceito, muitos dos quais estiveram em governos norte-americanos, tanto democratas quanto republicanos.
O texto do relatório abarca cerca de 80 páginas, se descontarmos as notas biográficas dos integrantes da comissão, o índice, agradecimentos etc. Nelas são analisados vários aspectos da economia, da evolução sociopolítica e do relacionamento externo do Brasil, com natural ênfase nas relações com os EUA. Vou ater-me aqui apenas àqueles aspectos que dizem respeito fundamentalmente ao nosso relacionamento internacional.
Logo na introdução, ao justificar a escolha do Brasil como foco do considerável esforço de pesquisa e reflexão colocado no empreendimento, os autores assinalam: “O Brasil é e será uma força integral na evolução de um mundo multipolar”. E segue, no resumo das conclusões, que vêm detalhadas nos capítulos subsequentes: “A Força Tarefa (em maiúscula no original) recomenda que os responsáveis pelas políticas (policy makers) dos Estados Unidos reconheçam a posição do Brasil como um ator global”. Em virtude da ascensão do Brasil, os autores consideram que é preciso que os EUA alterem sua visão da região como um todo e busquem uma relação conosco que seja “mais ampla e mais madura”.
Em recomendação dirigida aos dois países, pregam que a cooperação e “as inevitáveis discordâncias sejam tratadas com respeito e tolerância”. Chegam mesmo a dizer, para provável espanto dos nossos “especialistas” – aqueles que são geralmente convocados pela grande mídia para “explicar” os fracassos da política externa brasileira dos últimos anos – que os EUA deverão ajustar-se (sic) a um Brasil mais afirmativo e independente.
Todos esses raciocínios e constatações desembocam em duas recomendações práticas. Por um lado, o relatório sugere que tanto no Departamento de Estado quanto no poderoso Conselho de Segurança Nacional se proceda a reformas institucionais que deem mais foco ao Brasil, distinguindo-o do contexto regional. Por outro (que surpresa para os céticos de plantão!), a força-tarefa “recomenda que a administração Obama endosse plenamente o Brasil como um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
É curioso notar que mesmo aqueles que expressaram uma opinião discordante e defenderam o apoio morno que Obama estendeu ao Brasil durante sua recente visita sentiram necessidade de justificar essa posição de uma forma peculiar. Talvez de modo não totalmente sincero, mas de qualquer forma significativo (a hipocrisia, segundo a lição de La Rochefoucault, é a homenagem que o vício paga à virtude), alegam que seria necessária uma preparação prévia ao anúncio de apoio tanto junto a países da região quanto junto ao Congresso.
Esse argumento foi, aliás, demolido por David Rothkopf na versão eletrônica da revista Foreign Policy um dia depois da divulgação do relatório. E o empenho em não parecerem meros espíritos de porco leva essas vozes discordantes a afirmar que “a ausência de uma preparação prévia adequada pode prejudicar o êxito do apoio norte-americano ao pleito do Brasil de um posto permanente (no Conselho de Segurança)”.
Seguem-se, ao longo do texto, comentários detalhados sobre a atuação do Brasil em foros multilaterais, da OMC à Conferência do Clima, passando pela criação da Unasul, com referências bem embasadas sobre o Ibas, o BRICS, iniciativas em relação à África e aos países árabes. Mesmo em relação ao Oriente Médio, questão em que a força dos lobbies se faz sentir mesmo no mais independente dos think tanks, as reservas quanto à atuação do Brasil são apresentadas do ponto de vista de um suposto interesse em evitar diluir nossas credenciais para negociar outros itens da agenda internacional. Também nesse caso houve uma “opinião discordante”, que defendeu maior proatividade do Brasil na conturbada região.
Em resumo, mesmo assinalando algumas diferenças que o relatório recomenda sejam tratadas com respeito e tolerância, que abismo entre a visão dos insuspeitos membros da comissão do conselho norte-americanos - e aquela defendida por parte da nossa elite, que insiste em ver o Brasil como um país pequeno (ou, no máximo, para usar o conceito empregado por alguns especialistas, “médio”), que não deve se atrever a contrariar a superpotência remanescente ou se meter em assuntos que não são de sua alçada ou estão além da sua capacidade. Como se a Paz mundial não fosse do nosso interesse ou nada pudéssemos fazer para ajudar a mantê-la ou obtê-la.
Fonte: http://www.cartacapital.com.br/politica/a-obsessao-e-o-complexo-de-vira-lata